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Notícias » Vocação ao Direito e às causas sociais
19/07/2011

    
     Eleito Advogado do Ano de 2011 pela OAB de Mogi, João Pedro Fernandes de Miranda dedica sua vida à família, ao trabalho e à ajuda ao próximo.

     Apaixão pela família e o modo sistemático do advogado João Pedro Fernandes de Miranda são percebidos quando ele abre a porta de sua sala no escritório São Paulo de Contabilidade. Atrás da mesa, ao centro, um retrato do pai, Luiz Beraldo de Miranda, advogado que foi vereador por quase 40 anos em Mogi que leva o nome do plenário da Casa de Leis municipal. No mesmo quadro ele possui outra fotografia, da mãe Florisbella Fernandes de Miranda, de quem fala com carinho. A mesma parede conta com diplomas do curso de Direito dele e do pai. Ao lado direito há outros 17 porta-retratos de toda a família: os filhos Evelise, João Pedro e Jorge Henrique; a mulher Onélia e os netos Júlia, Lívia, Isabella, João Henrique, Gabriel e Lucas. O primeiro aluno do padre Melo na Organização Mogiana de Educação e Cultura (Omec), em 1960, se diz um homem "chato e metódico". Eleito o Advogado do Ano de 2011 pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Mogi, cujo título será entregue em 11 agosto, Miranda falou sobre a família, os trabalhos sociais que desenvolve, sobretudo, na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), de Direito e do União Futebol Clube, time que presidiu entre 1983 e 1984.

Mogi News: O senhor sempre morou em Mogi? Como era sua vida?
João Pedro Fernandes de Miranda:
Sempre. Nasci em 1950 quando minha família vivia na rua Senador Dantas e hoje vivo na rua Laurinda Cardoso de Mello Freire (na Vila Oliveira), onde estou há 30 anos. Meu passatempo era jogar futebol.

MN: O pai do senhor foi um advogado e político respeitado na cidade. Sempre quis seguir os passos dele?
Miranda:
Ele fundou o escritório São Paulo em 1945. Era contador e eu e meus irmãos, aos 13 anos, começávamos a trabalhar como office-boys, depois ficávamos com o serviço interno, até nos formarmos. Estudava de manhã e ficava à tarde no escritório. Passava praticamente o dia inteiro com ele e a ligação entre nós era muito forte. Sempre foi um exemplo.

MN: O senhor se formou em 1973 e já começou a advogar. Eram tempos difíceis?
Miranda:
Era mais fácil. Você chegava ao Fórum, pegava a ficha, o processo, olhava e ia embora. Muito mais informal e existia a confiança do cartorário com o advogado.

MN: Podemos dizer que tem uma vida dedicada ao Direito?
Miranda:
Sim. Gosto muito do que faço. Além de sustentar minha família, me permite também ajudar quem não tem condições de gastar com advogado.

MN: Também dedica a vida ao trabalho social...
Miranda:
Sou diretor da Apae há 28 anos e já fiz mais de 400 interdições de crianças. Também sou sócio-fundador do Asilo Manoel Maria e membro do Conselho Fiscal das Irmãs Ursulinas da Sagrada Família, que administram o Instituto Dona Placidina.

MN: Este era um trabalho que o pai do senhor também fazia. O acompanhava?
Miranda:
Sempre o acompanhava e o ajudava. Ele foi fundador com o padre Vicente do Instituto Pró Mais Vida e sempre se preocupou em passar aos filhos esse exemplo de ajudar as entidades.

MN: Desse trabalho, qual o senhor considera especial?
Miranda:
A Apae. Estou há 28 anos lá e há nove nasceu minha neta (Lívia), com síndrome de down. À época, um amigo me disse em uma reunião: ´João, eu sei porquê sua neta nasceu "down"´. E eu disse que também sabia: é genética. E ele: ´Não! Ela nasceu down para você nunca mais sair da Apae´. Curioso.

MN: Como é o trabalho?
Miranda:
Além do problema físico, tem o mental. Então, você alia as duas deficiências para imaginar o grau de dificuldade dos profissionais da Apae. Há 28 anos faço festas lá e há 28 anos eu choro de ver as crianças dançarem.

MN: O senhor também foi presidente do União Futebol Clube. Quanto tempo ficou lá?
Miranda:
De 1979 a 1982 fui tesoureiro e de 1983 a 1984, presidente. Foi quando colocamos o União de volta no profissional. À época, todos os jogadores queriam jogar no clube porque lá tinha comida, lugar para dormir, férias e 13º salário. Saí em 1987 quando o União caiu em mãos que eu não concordava.

MN: Como o senhor avalia o clube hoje?
Miranda:
Não existe mais o União. Venderam de graça o campo da (rua) Casarejos (no Mogilar) e perderam por dívidas trabalhistas a propriedade da Vila da Prata.

MN: E a quê o senhor atribui isso?
Miranda:
Má administração. Um clube que não tem sede, patrimônio e sócio não existe. Era um clube rico que foi transformado em pó. Só sobrou o nome.

MN: E todo o seu trabalho e dedicação à profissão lhe renderam o título de Advogado do Ano de 2011, da OAB de Mogi.
Miranda:
Não sabia que tinha sido indicado. Um dia que o secretário-geral, Ademir (Falque), brincou comigo. Ele me ligou perguntando se eu poderia recebê-lo. Veio com o presidente Marcos Soares e com um envelope: "Doutor, nós temos uma representação no Conselho de Ética contra você e trouxemos pessoalmente para que responda". Fiquei surpreso e na hora que abri, vi o comunicado de que eu tinha sido escolhido o advogado do ano. Fiquei realmente muito emocionado, orgulhoso e honrado.

MN: Receber essa honra na Câmara, no plenário que leva o nome do seu pai, deverá ser uma emoção e tanto?
Miranda:
Uma emoção que ninguém vai ter mais. Acredito que só eu. Porque como meu pai foi vereador, logo que ele faleceu os colegas deram ao plenário o nome dele. Não voltei lá desde aquela cerimônia.

MN: Como ele se sentiria?
Miranda:
Muito feliz e orgulhoso, tenho certeza. Por ter conseguido me ensinar alguma coisa. Eu preferiria que ele estivesse lá presente e não o nome dele.

MN: O título também reflete os 25 anos à frente da Comissão Eleitoral da OAB. Como é este trabalho?
Miranda:
O nosso poder de mando resume-se ao dia da eleição. A OAB de São Paulo nomeia o presidente, que convoca os mesários e organiza tudo.

MN: Seu pai foi contador, o senhor também; foi advogado e o senhor também. E ele foi político, o senhor...?
Miranda:
Eu não serei político. Recebi inúmeros convites. Quando ele morreu (em 1999) todos tinham a certeza de que eu seria candidato a vereador no ano seguinte, só que isso nunca vai acontecer. Não tenho perfil. Não aguentaria um mês. A política é a arte de engolir sapos, no bom ou no mau sentido, e quem não tem essa facilidade nunca terá sucesso.

Fonte: Mogi News

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